Alice nasceu – 13 horas de pura adrenalina e amor | Relato de parto

Por volta das 23h senti uma dor durante uma contração. Pensei: ”nunca senti uma dor assim” ”hmm será?” Passou e continuei assistindo, conversando com meu marido – assistíamos The Office, jantando um macarrão delicioso que ele tinha preparado -. Após deitar na cama, as dores estavam incomodando muito então levantei e fui para a sala, não eram dores muito fortes porém incomodativas o bastante para não conseguir ficar deitada e tentar dormir. As contrações estavam com intervalos de 7 minutos, de 5 minutos, 6 ,4, 7 de novo (pensava que as contrações do trabalho de parto eram super regulares mesmo, tipo de 8 em 8 minutos, 7 em 7, 6 em 6…) Com isso fiquei preocupada com essa irregularidade e cheguei até pensar apavorada: ”Se essas dores ainda não são as de trabalho de parto, imagina com não são as verdadeiras então”.

As 5h da manhã (miga sua loka) não sabia mais o que fazer, não aliviava ficar deitada, sentada, de pé, andando nem parada, a única maneira que encontrei um pouco de alívio foi ficar de joelhos no chão bem encolhida. Eu falava para o meu marido quando a contração estava começando e quando parava para cronometrar bem certinho os minutos, nem pegar o celular eu pegava mais. As 6h da manhã estavam de 3 em 3 minutos, as dores cada vez piores e eu pensava ”falam que parto é lindo, passar por isso é lindo. O que é lindo? Não é lindo coisa nenhuma, isso dói pra caramba Jesus amado como dói, dor não é nada linda!!!” MAS quando tinha aquele intervalo de 1 minuto sem dor eu ficava cheia de alegria ”Alice está quase nascendo, que lindo” ”Logo vou conhecer minha bebê, awnn”… os hormônios, os sentimentos liberados durante o trabalho de parto são incríveis.

Já não aguentando mais tanta dor, fomos para a maternidade, meu sogro dirigiu e o meu marido sentou no banco de trás comigo ( maravilhoso ter a pessoa que mais ama ao seu lado nesse momento).

Ainda no carro a caminho da maternidade, lembro de apertar a mão e o braço do meu marido e de quase quebrar o banco da frente de tanta força que fazia para puxar – nessa hora, puxar algo com toda a força ajuda muito, acredite. – Cheguei achar que a bebê Alice ia nascer no carro, com contrações de apenas 2 minutos com intervalo de 1 minuto, é muita dor mesmo, parece sim que vai nascer a qualquer momento! – foi uma aventura, uma das partes mais legais haha – Ah e além de tnt dor eu também estava morrendo de fome, e o Dane (maridão) parou comprar uma esfirra pra mim em uma padaria a caminho e eu dava umas mordidas em cada intervalo de contração e isso foi maravilhoso, nada como uma boa comidinha nessa hora (rs) .

Chegamos na Maternidade Curitiba as 9h40, checaram minha dilatação e a surpresa maravilhosa: Já estava de 6 pra 7 centímetros! Confiram o diálogo que ocorreu neste momento:
Médico: – Oh, já está com 7 cm quase! Logo logo nasce! Vai querer anestesia?
Eu sem contração no momento: – Ah graças a Deus 7 cm já! Acho que nem vou querer a anestesia.. Calma aí tá vindo uma contração.. ai Senhor que dor… ME DÁ ANESTESIA! EU QUERO! QUERO SIM! AGORA!

Nem passei pelo meu apartamento, me levaram imediatamente para o centro cirúrgico de cadeira de rodas na maior velocidade – achei um máximo! (rs) – e aplicaram a anestesia em mim. É um pouco complicadinho por que tem que ficar completamente parada para receber as agulhadas. Gente essa anestesia epidural é VIDA me senti renovada, deitei, descansei, foi maravilhoso, eu só sorria, podia conversar com meu marido, imaginar a hora que ela ia nascer, rir juntos. O médico vinha as vezes checar a dilatação e estava evoluindo super bem. Quando chegou aos 10 cm ele pediu para que eu ficasse sentada em um banquinho pois a bebê estava muito alta, os efeitos da anestesia estavam passando e estava começando sentir as dores novamente, quando foi 12h deitei e comecei a fazer força, depois de meia hora a dona Alice saiu e começou chorar.

Este momento é realmente muito incrível, lindo, mágico, inesquecível. Não tem como descrever a emoção, o amor que senti ao ver minha filha pela primeira vez, imediatamente ela veio para os meus braços e eu só chorava de tanta felicidade. É o momento mais intenso, a experiência mais incrível que uma mulher pode passar. Hoje eu entendo muito bem aquela frase ”Parto normal é lindo”, vale muito a pena sentir toda a dor pra poder sentir todos os sentimentos que se sente durante esse processo, vale muito a pena para que seu bebê nasça de forma natural, escolha a data que ele quiser nascer, quando ele estiver pronto. Vale a pena respeitar o tempo dele. E se eu voltasse no tempo, faria tudo de novo. É uma aventura muito louca e incrível! Só sabe quem passa por isso. Vale muito a pena mesmo.

Parto “humanizado”, plantonistas humanizados, equipe maravilhosa que com certeza fez toda diferença nessa hora. Sem episiotomia, sem ocitocina artificial. Só um sorinho e uma anestesiazinha por que realmente precisei e isso não fez o parto não ser humanizado! Não rolou comigo fazer o parto todo natural sem nenhuma intervenção, mas foi perfeito assim desse jeito.

Deus, obrigado por me dar força e coragem. Dane meu amor obrigado por estar sempre ao meu lado. Alice, obrigado por ser tão maravilhosa. Amo muito vocês ❤

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nascimento da Alice ❤

Autor: Kali Bonato

''Casada, mãe, blogueira. Amo o universo feminino e o mundo da maternidade.Criei o blog para compartilhar experiências, dicas, com o objetivo de sempre ajudar.''

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